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TCC da pós em Gestão Arquivística é selecionado para congresso internacional

Michele Joaquim participará do XIII Congresso de Arquivologia do Mercosul com pesquisa sobre A representatividade do negro no acervo do Centro de Produção Audiovisual do Sesc SP.

18/09/2019

A comunidade FESPSP recebeu com felicidade nesta última semana a notícia da indicação da pesquisa “Representatividade do negro no acervo do Centro de Produção Audiovisual do Sesc SP” para participação no XIII Congresso de Arquivologia do Mercosul, da nossa egressa do curso de pós-graduação em Gestão Arquivística, Michele Joaquim. O evento acontecerá de 21 a 25 de outubro em Montevidéu – Uruguai.

Michele, que foi orientada pelo Prof. Me. Charlley Luz, teve a ideia trabalhando com o acervo do Sesc SP e olhando para as atividades da instituição por todo o Estado, em maio de 2018, relacionadas aos 100 anos da abolição da escravatura. “Me questionei, entre todas essas várias atividades, o que seria preservado no Centro de Produção Audiovisual?”, relata. A partir desta ideia e realizando pesquisas, a pós-graduanda percebeu que pouco havia de cultura negra preservada.

 

Confira a entrevista que realizamos com Michele e o resumo do trabalho aprovado pelo XIII Congresso de Arquivologia do Mercosul:

FESPSP: Durante a pesquisa, qual foi a sua maior descoberta? O que te surpreendeu nos dados?

Michele: Me surpreendeu a pouca representatividade, variedade no acervo, pois se trata de mais de 40 anos de gravações e pouco foi preservado. Como uma instituição renomada, que trabalha com cultura, a preservação de suas ações voltadas ao público negro, afrodescendente, deveria ser uma pauta, mas não é. Duas descobertas, uma sobre o banco de dados, que não possui palavras – chave, um campo importante na catalogação de acervos, pois melhora o retorno das pesquisas realizadas, e também que é necessária a participação de pessoas negras, pessoas que entendam a importância dessas atividades e  auxiliem nesse papel de escolha do que será preservado.

F: Com o trabalho aprovado, você pretende seguir na carreira acadêmica?

M: Já pensei em seguir na carreira acadêmica, fazer mestrado, mas ainda não foi possível. Mesmo que consiga, acredito que a pesquisa precisa sair de dentro da Universidade e agregar conhecimento real para a sociedade, não gostaria de deixar a atuação prática de lado.

F: Como surgiu a ideia de se inscrever em Congressos?

M: Quero propagar minhas ideias, minhas pesquisas, trocar experiências com outras pessoas. Essa troca é muito importante, aprendemos muito nos Congressos, tive uma experiência no último semestre na faculdade que cursei, e depois de formada, sempre procurei Congressos que tivessem mesas com as temáticas que estudo, tive êxito em três oportunidades e foi muito gratificante.

F: O que significa para você a aprovação no XIII Congresso de Arquivologia do Mercosul?

M: Significa uma vitória muito grande, que meu tema de estudo é relevante, que existem pessoas que querem me ouvir. Mesmo com todas dificuldades ao longo desses anos de carreira no mundo dos arquivos, esse reconhecimento demonstra que estou no caminho certo.

F: Algo mais a declarar?

M: Gostaria de agradecer a oportunidade de falar sobre essa pesquisa, e pela excelência dos profissionais do curso de pós-graduação em Gestão Arquivística da FESPSP, pois tive todas as ferramentas para desenvolver esse artigo, especial agradecimento ao meu orientador Charlley Luz que não me deixou desistir no meio do caminho.

 

Resumo

O artigo “Representatividade Negra no Acervo do Centro de Produção Audiovisual do Sesc SP” tem como objetivo analisar a representação do negro no acervo em questão. Ele é composto por mídias físicas, produzidas entre 1980 e 2012 e acervo digital produzido a partir de 2013 até a atualidade. São mais de nove mil horas de gravações das atividades culturais e formativas promovidas pelo Sesc em todas as unidades de São Paulo capital, litoral, interior e grande São Paulo.

Desde 2005, a UNESCO considera as obras audiovisuais como patrimônio da humanidade. Segundo a diretora-geral Irina Bokova, as imagens em movimento e gravações sonoras são registros importantes de nossas vidas, por isso, devem ser preservados e compartilhados como parte de nosso patrimônio comum. Temos claro que a preservação de documentos audiovisuais é primordial para a construção de memória social, porém surge um questionamento: qual memória da cultura negra o Sesc SP está construindo por meio da preservação das gravações de suas atividades?

A partir da análise do que é gravado e preservado no CPA faremos um recorte para tentar resgatar nesse universo as produções que evidenciam a cultura negra. Quais são as atividades preservadas? Quantos vídeos? Quem são os artistas representados?

Além da análise de conteúdo, faremos uma abordagem que trata da busca nesse acervo, de como o sistema MAM (Media Asset Management) está estruturado, como ele mostra os resultados para o pesquisador utilizando palavras-chave, e os campos da ficha catalográfica.

E propor formas de catalogação e descrição que tragam para o pesquisador resultados mais precisos sobre a cultura negra presente nesse acervo.

Reconhecer-se em uma atividade, ver a riqueza da cultura de seu povo é muito importante para o empoderamento da população negra, pois se trata de séculos de cultura esfacelada, subjugação de suas crenças e valores, de opressão de seu corpo, maneira de ser e estar no mundo. Precisamos mostrar o que o povo negro possui de melhor e recuperar a autoestima dessa população, mostrar que ela é capaz de ser autora de sua própria história.

Apresentamos propostas para a equipe responsável pela preservação do acervo para que este seja fonte de produção de conhecimento e a existência negra deixe de ser um drama.

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