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Exposição

21/09/2017

Mostra ARPILLERAS: BORDANDO A RESISTÊNCIA abre hoje

A mostra precede o lançamento internacional do FAMA (Fórum Alternativo Mundial da Água) que acontecerá dia 25 de setembro na FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).

As peças ficarão em exposição até o lançamento do FAMA 2018 que acontecerá no dia 25 de setembro, às 9 horas, na Fundação Escola de Sociologia e Política - Rua General Jardim, 522 - Vila Buarque, São Paulo – SP. O evento é aberto a todos e contará com a participação de representantes de entidades que defendem o direito à água em todos os continentes.
 
Sobre a mostra
 
O fio condutor da narrativa fica por conta de um bordado denominado de “arpillera”. Essa técnica surgiu no início do século passado em Isla Negra, no Chile, quando as mulheres começaram a utilizar a juta de sacos de batata para criar histórias costuradas. De uma ocupação para gerar renda, as arpilleras ganharam mais potência durante o período da ditadura militar [1973-1990]. 
 
Nas periferias de Santiago, as mulheres começaram a costurar denúncias com pedaços das roupas de seus parentes, desaparecidos pelas forças de repressão comandadas pelo ditador Augusto Pinochet. Entre a juta, elas escondiam cartas que descreviam a situação política no país.
 
Inspiradas nesse exemplo histórico, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) iniciou em 2013 um trabalho com as mulheres atingidas por barragens. Foram mais de 150 oficinas com a participação de mais de 900 mulheres, com o intuito de fortalecer a auto-organização das mulheres e criar um amplo levantamento das violações que ocorrem em suas vidas através da construção de barragens nas cinco regiões do Brasil. O resultado deste processo poderá ser visto nas linhas de 25 bordados/peças que compõe a exposição completa. Bordados que trazem muitas histórias de vida, de violações de direitos humanos através da construção das barragens, mas sobre tudo traz a voz das mulheres através de uma linguagem transgressora.
 
Arpilleras: histórico de resistência
 
Arpilleras são tecidos latino-americanos tridimensionais com apliques, que se originaram no Chile no final da década 1960. A juta, conhecida como “arpillera” (em espanhol), transformou-se no nome desse tipo especial de tapeçaria. Durante a ditadura de Pinochet no Chile (1973-1990), a tradição das arpilleras se desenvolveu para dar voz aos reprimidos e desprivilegiados da sociedade chilena. De suas humildes origens no Chile, a linguagem e arte de fazer arpilleras têm se espalhado pela América do Sul, Anhadir Jamaica, Estados Unidos, Europa, Japão, África e Nova Zelândia. Inspiradas pelas primeiras arpilleristas, mulheres em diferentes localidades, trabalhando individualmente ou coletivamente, continuam a documentar, através da costura, tanto suas experiências vividas quanto as suas respostas a abusos globais de direitos humanos. 
 
Arpilleras são como canções que se pintam, disse Violeta Parra, que na sua arte de compor e cantar, foi uma das mais expressivas manifestantes da resistência do povo chileno contra a ditadura do período Pinochet. Assim como na música de Violeta Parra, a arte das Arpilleras atravessou fronteiras e, dos protestos contra a construção desenfreada de barragens hidroelétricas que resultam em despejos de milhares de famílias.
Arpillera: bordado como ferramenta política de luta e organização!
 
As mulheres do Movimento das Atingidas e Atingidos por Barragens (MAB) começaram a costurar e repensar em todos os sentidos a ideia e lugar tradicionalmente atribuídas a nós, enquanto mulheres. Desde sua formação, há mais de 20 anos, o MAB tem atuado na luta pelos direitos humanos, dentro de um contexto de disputa de interesses no qual a correlação de forças é extremamente desigual. Na lógica do atual modelo de construção de barragens, a energia, água, meio ambiente e os direitos humanos são vistos como uma mercadoria, constituem empecilhos, sendo tidos como custos a serem reduzidos pelas empresas construtoras que visam gerar lucros extraordinários. Assim, 16 direitos humanos são sistematicamente violados na implementação de barragens, como já reconheceu formalm
ente o Estado Brasileiro em 2010, no relatório do Conselho de Defesa dos Direitos 12 da Pessoa Humana (CDDPH, 2010). As mulheres, temos sido as “principais vítimas destes processos de empobrecimento e marginalização”. Este padrão de violação se replica nas mais de 2000 barragens construídas no Brasil que têm causado o despejo de mais de 1.000.000 de pessoas.
 
As arpilleras têm amplamente ajudado no processo de denuncia da violação de direitos das mulheres atingidas por barragens, bem como possibilita o encontro e dialogo da mulheres, fortalece a luta e a organização das mulheres e possibilitada dar voz as mulheres através de uma linguagem transgressora. 
 
Tragédia Anunciada: Registros fotográficos do crime em Mariana
 
O MAB organizou uma exposição sobre o rompimento da barragem de Fundão, de propriedade da Samarco (Vale/BHP Billiton
). Denominada “Tragédia Anunciada: registros fotográficos do crime em Mariana”, a mostra reúne 50 fotogra
fias, de quatro profis
sionais (Guilherme Weimann, Joka Madruga, Leandro Taques e Lidyane Ponciano), que escancaram as conseqüências da lama na vida das populações que vivem no entorno dos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce.

 




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