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13/11/2014

Incompetência a gota d' água

Saída encontrada pelo governo do estado para o volume morto é o tratamento do esgoto; porém além de não ser recomendado para consumo, atualmente Estado deixa de tratar 40% dos dejetos

 Saída encontrada pelo governo do estado para o volume morto é o tratamento do esgoto; porém além de não ser recomendado para consumo, atualmente Estado deixa de tratar 40% dos dejetos.

Por Filipe Lopes

Mesmo não sendo amplamente noticiada pela imprensa, a crise hídrica que atinge São Paulo não vem de hoje. Chegou gradualmente aos bairros mais periféricos desde o início do ano, sendo que o governo e a Sabesp sempre negaram. Até agora. Passadas as eleições, que reelegeram o governador Geraldo Alckmin para mais quatro anos de mandato (serão 16 anos à frente do estado mais importante do País), agora a grande imprensa começa a tratar do assunto e a cobrar respostas para a crise.
Porém a primeira medida anunciada pelo governo não soa como a grande solução: tratar esgoto para o consumo. A água de reuso, que é o resultado do líquido tratado a partir do esgoto, serve para trabalhos de limpeza, lavagem de máquinas e veículos, entre outras atividades. Mas não serve para o consumo, pois, apesar de ser 99% pura, a água de reuso não é potável. E água não potável pode causar inúmeras doenças, principalmente em crianças.

O sucesso de fazer água a partir do esgoto, parte do pressuposto que o processo será feito com excelência pela Sabesp e que todo o volume (mais de três mil litros de água por segundo, de acordo com o governo) cheguem as mais de 300 mil pessoas, que são abastecidas pelo Sistema Cantareira. Isso preocupa, porque eficiência não é o ponto forte da Sabesp. Segundo o relatório Qualidade das Águas Superficiais, produzido pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), São Paulo deixou de tratar 40% do esgoto produzido em todo o Estado no ano passado. Além disso, o Índice da Qualidade de Água para Abastecimento (IAP) em 2013 foi o pior desde 2011. O IAP foi considerado ruim ou péssimo em 17% dos 72 pontos de medição verificados pela companhia, boa em 46% das amostras e regular em 35%.

Também é público o incrível índice de desperdício de água que o sistema permite, onde mais de 36% são perdidas por conta da tubulação obsoleta, ligações clandestinas e vazamentos não resolvidos. Ou seja, cerca de 1/3 da água tratada pela Sabesp se perde pelo caminho antes de chegar às casas das pessoas – isso apenas na capital paulista.

O que assistimos são ações atrapalhadas do governo, que pouco ouve especialistas e não convida a população para um debate amplo sobre o assunto. A noção de “prestação de serviços” não faz parte da metodologia de trabalho da Sabesp e do governo do Estado, até porque, pelo vazamento das reuniões realizadas pela alta cúpula da entidade, todos sabiam da situação perigosa que o estado se encontrava, mas escolheram omitir e não alertar a população para que pudesse se preparar para a seca.

Enquanto isso, a mídia segue sua cobertura superficial sobre o tema, se limitando em apenas a ouvir órgãos oficiais e profissionais que falam a mesma língua dos governantes e a população vive na incerteza de, a qualquer momento, abrir a torneira e sair apenas ar... ou coisa muito pior.

Filipe Lopes é jornalista e aluno de pós-graduação do curso de Mídia, Política e Sociedade da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), na disciplina de Estruturas da Mídia Brasileira da professora Jacqueline Quaresemin.
 




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