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1/4/2008
Centenário da Imigração Japonesa
Aluno da ESP desenvolve estudo sobre aspectos da emigração brasileira para o Japão
A realidade vivida pelos descendentes de japoneses que nascem ou crescem no Brasil e que emigram para o Japão em busca de dinheiro, realização profissional ou pessoal, para depois retornarem ao país – os chamados Dekasseguis – nem sempre configura uma situação das mais simples.
Acostumados a ter no Japão um retorno efetivo dos impostos pagos na forma de políticas públicas, os dekasseguis, na volta ao país, precisam voltar a conviver, por exemplo, com os gargalos existentes em setores vitais da sociedade brasileira, como a saúde, o transporte, a segurança, infra-estrutura, entre outros. Outra dificuldade refere-se à defasagem salarial em relação ao que se recebia no exterior, fatores que, somados, tornam ainda mais complicado o processo de readaptação.
Os apontamentos em questão fazem parte de um estudo desenvolvido recentemente, intitulado “A difícil readaptação nas fronteiras da cultura: O Retornado Dekassegui em São Paulo”, de autoria de Edson Katayama, formado pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
A partir da experiência depreendida como dekassegui, Edson aborda na pesquisa a dificuldade enfrentada pelos descendentes japoneses em seu retorno a São Paulo, principalmente, no que se refere à readaptação cultural e ao reingresso no mercado de trabalho.
A base para o desenvolvimento do trabalho foi adquirida também por meio da atuação de Katayama como voluntário no Grupo Nikkei de Promoção Humana, uma ONG que atua desde 1999 no combate ao desemprego na cidade de São Paulo.
Outra questão apresentada no estudo é o que autor chama de “movimento pendular”, caracterizado pelo processo de ida e volta dos descendentes entre os dois países. Esta situação se estabelece, em primeiro lugar, pela falta de preparo dos dekasseguis, que não atentam para questões importantes, como as dificuldades que enfrentarão sem o conhecimento mínimo do idioma japonês.
“O fato de terem o visto permanente concedido após 5 anos consecutivos de estadia no país (apenas para descentes de 2ª e 3ª geração) contribui em muito neste “vai e vem”, uma vez que, ao retornar ao Brasil, o documento expira após 3 anos sem uso. Além disso, o documento possibilita ao emigrante a aquisição de bens por meio de financiamento, como casa, carro, etc. A cada 5 brasileiros que viajam para o Japão, 1 deles acaba solicitando o visto permanente”, explica Edson, que morou fora por cerca de 8 anos, em meio a este movimento pendular.
De acordo com a pesquisa, a perspectiva de acumular capital suficiente no Japão para construir uma vida confortável no Brasil é a principal motivação de um dekassegui. No entanto, muitos partem também por conta do descontentamento em relação ao cumprimento dos direitos básicos de cidadania, com o governo e a política em geral.
Além da experiência empírica, Katayama entrevistou entre 2005 e 2007 um total de 126 pessoas na condição de consultor de dekasseguis em uma agência de empregos para o Japão. O sociólogo acredita que o fenômeno dekassegui está longe de extinguir-se e defende a necessidade de continuar estudando o movimento pelas próximas gerações, afim de que se possa entender a identidade étnica do dekassegui e as implicações deste duplo pertencimento.
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