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Aula Aberta

04/12/2017

Pesquisadores discutem dados levantados nos protestos pró e contra Judith Butler em São Paulo

Profa. Dra. Isabela Oliveira, coordenadora do Núcleo de Etnografia Urbana e Audiovisual (NEU), comandou Aula Aberta no último dia 1° para comentar os resultados da pesquisa.

Final de outubro de 2017, o SESC Pompeia anuncia a vinda da filósofa norte-americana Judith Butler ao Brasil para participar de um seminário internacional sobre “Os Fins da Democracia”. A filósofa é uma das mais importantes intelectuais no campo dos estudos de gênero. Não demorou para que parte da internet se mobilizasse contra a vinda de Judith ao Brasil, muitos incentivados por informações desconexas e até mesmo falsas coletadas na internet. Um protesto foi marcado para o dia 7 de novembro, em frente ao SESC. Rapidamente outro grupo se mobilizou na internet, este favorável ao direito de ir e vir da filósofa, programando um protesto para o mesmo horário e local.

Diferente das milhares de assinaturas, postagens e discussões nas redes, poucas centenas de manifestantes (prós e contrários) realmente estiveram em frente ao SESC naquela manhã de terça-feira, o disputado dia 7. Enquanto um grupo queimava bonecos com o rosto da filósofa, o outro fazia um cordão de isolamento para proteger quem entrava, enquanto professores davam aula sobre Judith Butler. Neste mesmo cenário, um grupo de pesquisadores formado por alunos da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e por sociólogos graduados na mesma instituição estava reunido sobre coordenação da antropóloga Isabela Oliveira para entrevistar e entender quem eram esses manifestantes, contrários e favoráveis. O Núcleo de Etnografia Urbana e Audiovisual (NEU-FESPSP) aplicou 93 questionários e realizou 31 entrevistas abertas, o resultado da pesquisa “Ideologia de Gênero x Ideologia de Gênesis” foi divulgado no dia 13 de novembro para a imprensa e na última sexta-feira, 1° de dezembro, foi discutido durante aula aberta realizada pelo NEU, que contou com depoimentos, explanações e debates dos pesquisadores envolvidos e demais presentes.

Entre o dia do anúncio da vinda de Butler, a repercussão e mobilização nas redes e o dia marcado para o “embate” houve relativo pouco tempo. Essa não foi a primeira experiência do NEU em protestos de rua, em 2016 o grupo passou três meses frequentando e entrevistando os manifestantes do acampamento da FIESP, que bradavam só sair dali quando houvesse a consumação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas ainda assim, rearticular o grupo, preparar a pesquisa e ir para a rua levantar dados sobre aquele fenômeno foi uma atividade que exigiu intensos esforços de todos os envolvidos.

Durante a aula, todos os participantes contribuíram para o aumento da compreensão a cerca daquele fenômeno. “Quando ainda elaborávamos a pesquisa, li na internet sobre a participação do MBL, mas no protesto não havia tanta participação assim. O evento foi relevante, apesar do número reduzido de pessoas na rua”, lembrou a Profa. Dra. Isabela Oliveira. O método da pesquisa foi o survey não probabilístico, que trata apenas do perfil dos participantes do evento e não representa a população brasileira, motivo pelo qual não há margem de erro.

Os protestos não impediram a participação de Judith Butlern no seminário do SESC, mas no aeroporto, voltando para casa, ela foi hostilizada por algumas pessoas. Esse tipo de embate deve se intensificar em 2018, analisa Isabela. “O que foi interessante observar é que até alguns dos analistas políticos estavam habituados a apontar que grupos menos favorecidos são de esquerda, mas o manifesto mostrou que não é bem isso, entre os contrários tínhamos negros, homossexuais e pobres. Ambos os grupos querem as mesmas coisas com caminhos diversos”, explicou, destacando a necessidade de entender este fenômeno mais amplo.

“O ato vai além da discussão que a Judith aborda, tanto de democracia, quanto dessas pautas morais. Quem debate gênero na esquerda não criou uma ‘ideologia’, essa é uma narrativa dos que discordam, em contra isso criaram uma contra-narrativa ‘debate de gênero’”, lembrou a pesquisadora Gabriela Melo. “O mesmo fenômeno acontece quando a esquerda taxa de conservador o eleitor do Bolsonaro, do Doria e do Alckmin, sem distinção”, pontuou o sociólogo Rafael Costa.

A forma como esse debate ideológico ocorre e chega até a população também foi discutida no encontro. “A direita tem se tornado mais inclusiva para o jovem do que a esquerda progressista. Temos de tentar entender esses atores e fenômenos sociais para não fazermos esse tipo de generalização”, contou Isabela. Em seu relato, o pesquisador Felipe Paludetti contou que a ala conservadora do protesto conhecia a pauta melhor do que muitos progressistas, que não quiseram entender os termos criados pelos contrários à Judith Butler. “O termo ideologia de gênesis era desconhecido pela esquerda. Existe uma dificuldade no campo progressista de explicar o que está acontecendo. Os progressistas estavam ali para ensinar, não para ouvir o outro lado”, destacou Felipe Paludetti.

Os dados da pesquisa estão disponíveis na íntegra em www.neu.city

Rodrigo Carani
Agência FESPSP

"Este texto e a referida pesquisa expressam exclusivamente a opinião dos autores e é de integral responsabilidade dos mesmos. A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) sempre será espaço para divulgação, debates e reflexões de ideias progressistas, pluralistas e democráticas."
 






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