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Ciclo de Debates

30/08/2017

Intelectuais debatem as causas e as saídas da crise brasileira

Democracia, República e Estado de Direito foi o tema discutido em encontro do Ciclo de Debates da UFMG, realizado na FESPSP no dia 28 de agosto, que contou com a presença dos sociólogos Brasilio Sallum Jr., Fábio Wanderley Reis e Leonardo Avritzer.

A prolongada crise política trouxe como maior consequência o questionamento do legado da Constituição de 1988. O pacto social implícito à Constituição, orientado para a afirmação de direitos sociais e cidadania, está sofrendo um duro golpe, que ameaça os principais valores de igualdade e justiça. Na última segunda-feira, 28 de agosto de 2017, a FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) recebeu o Ciclo de Debates da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que teve como tema Democracia, República e Estado de Direito.
 
Neste primeiro encontro da parceria entre a FESPSP e a UFMG, o Prof. Dr. Aldo Fornazieri destacou a tradição da Fundação em discutir temas que estão presente na sociedade. “Estamos tentando discutir os embrólios e a saída da crise junto com essas entidades”, destacou, agradecendo a presença de todos.
 
“O arranjo político da Constituição de 1988 não parece dar conta da magnitude dessa crise, nem ter sido capaz de fornecer os instrumentos para a saída dela, pelo contrário, é a causa de muitos deles”, analisa o Prof. Dr. Leonardo Avritzer, da UFMG, no encontro. O cientista político aponta que a agenda de expansão dos direitos humanos está sobre forte ataque e é necessária a busca por soluções institucionais, pela via democrática.
 
Para o professor titular de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Brasilio Sallum Jr., é necessário olhar para o avanço econômico para entendermos a situação do país. “Embora tenhamos avançado de forma veloz do ponto de vista político, todo esse avanço não foi acompanhado de um desenvolvimento econômico sequer perto do período anterior”, conta. O docente destacou que entre os anos de 1950 e 1980, o Brasil crescia, na desigualdade, uma média de 3,8% de renda per capita ao ano. Enquanto que de 1981 a 2016, o crescimento per capita foi de 0,75% ao ano. “Do ponto de vista material, o crescimento era espetacular”, destaca.  
 
“É espantoso que tenhamos conseguido esse esforço distributivo com a lentidão do desenvolvimento material”, explica Sallum Jr. Na visão do docente, estamos vivendo uma situação em que a democracia de 88 está mostrando deficiências. Ele aponta três desafios contemporâneos da democracia: o impulso extraordinário da globalização econômica internacional que restringiu a soberania dos Estados nacionais; desenvolvimento da internet em nossa forma de acessar o espaço público; e a relação entre políticos eleitos e empresas nos processos de corrupção. “O financiamento público de campanha e a redução da fragmentação partidária são alguns elementos chave para desbloquearmos a corrupção desbravada que estamos vivendo. É crucial lidar com essas fontes de corrupção ou estaremos sujeitos a eleger candidaturas autoritárias que se valem do desejo de limpeza que pode colocar em risco os direitos democráticos de 20 e poucos anos”, finaliza.
 
Olhar para o que está acontecendo em outros países é essencial na visão do cientista político Fábio Wanderley Reis, da UFMG. Ele aponta que a corrupção é algo central na economia de vários locais e a existência de paraísos fiscais é uma prova disto. “Podemos pensar em Capitalismo versus Democracia. Nos Estados Unidos, a presença do dinheiro é crescente e corresponde claramente a uma diretiva que apela a Corte Suprema do País. Confunde liberdade de expressão pelo dinheiro. Em nome da liberdade de expressão, empresas são autorizadas a fazer campanhas contra ou a favor de partidos”, lembra.
 
A desigualdade no país afeta diretamente o eleitorado brasileiro. “A maioria do eleitorado brasileiro não tem como se relacionar de maneira inteligente com o universo político. Isso é algo que surge de maneira claríssima nas pesquisas de opinião. Falamos da característica ideológica do Estado brasileiro como se o povo conseguisse participar do processo. Isso não corresponde à maioria”, diz. O especialista destaca que as pessoas não sabem a diferença entre esquerda e direita e a consequência disso é só ser possível vencer na política com o populismo. "Se não tiver componente de populismo, você não consegue se relacionar com os eleitores. O populismo é fatal na democracia formal que se dê em condições de desigualdade”.



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