Manifesto de Fundação da ELSP

A Escola de Sociologia e Política de São Paulo comemora 75 anos. Em 27 de abril de 1933, um grupo de intelectuais, líderes políticos e empresariais tornou público um manifesto cujo conteúdo exprimia o inconformismo com a situação em que se encontrava o país, mas, ao mesmo tempo, afirmava a confiança no futuro, desde que as elites assumissem o seu papel dirigente e se preparassem para a empresa do desenvolvimento.
Feridos em seus brios pelas derrotas de 1930 e de 1932, os líderes de São Paulo apostam na construção de uma escola de sociologia que permita conhecer a realidade brasileira para nela intervir de forma eficiente. E, de fato, logram êxito no empreendimento, pois a Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, depois Escola de Sociologia e Política, inaugurou uma nova etapa nos estudos sobre a sociedade e o Estado, formando gerações que colaboraram para a construção do Brasil Moderno, urbano e industrial. De seus cursos de graduação e pós-graduação saíram intelectuais e políticos do porte de Herbert Levy, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro, Sérgio Buarque de Holanda e, mais recentemente, Luiza Erundina, dentre tantos outros.
Os métodos de ensino e pesquisa inovadores, trazidos pelos professores estrangeiros contratados para ensinar a sociologia na escola, serviram de base para a elaboração do índice do custo de vida em São Paulo e, também, orientaram a composição do salário mínimo nacional. As técnicas de planejamento e gestão de cidades foram objeto de estudo na instituição. O próprio Padre Lebret, dominicano que inaugurou a corrente de Economia Humanista e foi o responsável pelo planejamento urbano da cidade de São Paulo, nos anos de 1950, ministrou curso na Escola de Sociologia e Política.
Sempre orientada pelo rigor acadêmico e pelo compromisso com o desenvolvimento econômico, político, social e cultural do Brasil, a Escola de Sociologia e Política de São Paulo mereceu, já nos seus primeiros anos, o reconhecimento e o apoio do Governo do Estado, que a considerou entidade de utilidade pública.
A instituição desenvolveu ainda, na década de 40, um pioneiro programa de pós-graduação que foi responsável pela titulação de diversos intelectuais e pesquisadores, inclusive professores da Universidade de São Paulo.
Hoje, a Escola de Sociologia e Política de São Paulo continua a cumprir o ideal dos seus fundadores, com o seu quadro de docentes e pesquisadores ocupado com a formação de novas gerações de sociólogos aptos a enfrentar o Brasil como problema. Para tanto, incentiva as pesquisas, tanto acadêmicas quanto aplicadas, oferece cursos de extensão e de pós-graduação, além de oficinas abertas à participação da comunidade e, sobretudo, investe no desenvolvimento intelectual e humano dos seus alunos. Enfim, são sete décadas de trabalho a serviço do Brasil.
Rogério Baptistini Mendes, doutor em Sociologia, professor da ESP, coordenador do curso de pós-graduação em Globalização e Cultura da EPG, coordenador do Grupo de Estudos sobre Brasil Moderno da FESPSP.

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